quinta-feira, 28 de abril de 2011

10 fábulas de Isopo

Mais uma seleção com 10 fábulas de Isopo

Aos poucos pretendo escrever alguns textos com a moral da história. 
Mas, como um pouco de criatividade, você pode aplicar cada uma delas. Tomando cuidado para não exagerar na "criatividade".




O cão e o ladrão
Um ladrão, desejando entrar à noite em uma casa para roubar, trazia consigo um pedaço de sanduíche para tentar distrair o Cão de Guarda que vigiava. Porém, assim que o Ladrão lançou o naco ao solo, o Cão disse: - Entendo que me dás este pão para que eu me cale e te deixe roubar a casa, não por algum carinho que me tenhas. Mas, já que é o dono da casa que me sustenta toda a vida, não vou deixar de latir enquanto não fores embora ou até que ele acorde e te venha enxotar. Não vou querer eu que este pedaço me custe morrer de fome toda a minha vida.


O cão e a sombra 
Um Cão levava na boca um pedaço de carne quando ao passar por um riacho, viu no fundo da água a sombra da carne que parecia maior. Soltou a que levava nos dentes para tentar pegar a que via na água. O riacho levou para sua correnteza a verdadeira carne  e a sombra, ficando o Cão sem uma nem outra. 


As mãos, os pés, o estômago e o corpo 
Certo dia, as Mãos e os Pés, trocando idéias, começaram a se queixar das outras partes do corpo.
No final da conversa, chegaram à conclusão que trabalhavam a vida inteira, custeando o Corpo e que tudo era mais em proveito do Estômago, que comia sem trabalho. Portanto, o Estômago que procurasse o seu sustento, porque as Mãos e os Pés não iriam mais dar-lhe de comer. O Estômago pediu muito, mas disseram que haviam tomado uma decisão. Assim, começaram a lhe negar comida, o que foi enfraquecendo-o e, com isso, o Corpo inteiro. 
Sentindo as Mãos e os Pés se enfraquecerem, começaram novamente a querer alimentar o Estômago, mas como a fraqueza fosse muita, nada lhes valeu, morrendo todos juntos.


Os carneiros e o açougueiro 
Alguns Carneiros estavam juntos num redil quanto entrou um Açougueiro. Permaneceram quietos e nem fizeram caso disso. O Açougueiro pegou um deles e o matou. Nem vendo o sangue daquele temeram os outros. Assim foi em seguida, matando o Açougueiro um a um até que o último, vendo-se nas mãos dele, disse: - Com razão devemos sofrer, pois vendo aquilo que seria mal para todos não quisemos entender. No princípio, quando éramos muitos, mesmo que fosse com cabeçadas, poderíamos nos defender e não o fizemos. Agora, pensando nisso, estou só e não posso me preservar, dessa maneira acabamos todos. 


O pinheiro e o coqueiro
O Pinheiro, alto e pomposo, aconselhava o Coqueiro, que se curvava facilmente, que se mantivesse altivo. 
Respondeu o Coqueiro: - Tu podes resistir, mas não me sinto forte o bastante. Em seguida, veio um pé de vento muito bravo que arrancou o Pinheiro com raízes e tudo. O Coqueiro porém, dobrando-se, ficou em pé.


O parto da montanha
Em certo tempo, começou uma Montanha a dar urros e inchar, dizendo que iria parir. As pessoas ficaram cheias de temor, receosas de que algum monstro nascesse e viesse a destruir o mundo. Chegada a época do parto, estando todos reunidos em torno e em suspense, pariu a Montanha um Rato, transformando em riso o que antes era medo. 


As lebres e as rãs 
As Lebres, cansadas de correrem dos galgos e de serem assustadas pelos animais, se reuniram e concordaram, para não terem mais angústias, se matarem afogadas em um rio. Correram, então, em direção à água, mas, chegando à borda, viram muitas Rãs fugirem com medo e saltarem no rio. As Lebres, observando o pavor das Rãs, pararam e disseram: - Estas Rãs vivem com medo de todos e também de nós, por isso devemos suportar a vida, já que há muitos outros mais perseguidos e apavorados.


As árvores e o machado 
Um Machado de aço havia sido forjado e estava sem o cabo, pelo que não conseguia cortar. Foi então até o
bosque e pediu às Árvores que uma delas lhe dessem um cabo. As Árvores mais encorpadas se negaram a 
fornecer o material e mandaram à Oliveira que era mais franzina, a fazer esse papel. Assim que ficou completo, um Homem pegou o Machado e começou a fazer madeira e, com isso, a destruir todo o arvoredo. 
Comentou então o Carvalho com o Freixo: - É nossa a responsabilidade por esse mal, porque entregamos nossa irmã mais fraca ao inimigo. 


A raposa e as uvas
Uma Raposa, aproximando-se de uma parreira, viu que ela estava carregada de uvas maduras e apetitosas. 
Com água na boca, desejou-as comer e, para tanto, começou a fazer esforços para subir até elas. Porém, 
como estivessem as uvas muito altas e fosse muito difícil a subida, a Raposa tentou mas não conseguiu alcançá-las. Disse então: - Estas uvas estão muito azedas e podem desbotar os meus dentes; não quero colhê-las agora porque não gosto de uvas que não estão maduras. E dito isso, se foi. 


O asno e a cachorrinha 
Um Asno, que vivia livre pastando diante da casa, observou que quando seu dono chegava, a Cachorrinha ia ao encontro dele abanando o rabo, pulava em seu colo, procurando lambê-lo pelo que, em seguida, seu dono brincava com ela, a afagava e depois lhe dava de comer. Com inveja, pensou então que se fizesse o mesmo, receberia mais carinhos, já que era maior que a Cachorrinha. Imaginando isso, no dia seguinte, surgindo seu dono, o Asno correu de encontro ao homem e, enquanto pulava buscando colocar suas patas dianteiras sobre os ombros dele, procurava lambê-lo. Espantado com aquilo, o dono gritou chamando os criados e mandou surrar o Asno para depois mantê-lo trancado na estrebaria.