quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Pornografia - Por Mark Driscol

Pornografia e a ladeira escorregadia de Ted Bundy
Creio que esse seja um sério lembrete para você, meu irmão em Cristo, de que o pecado da luxúria é um parasita insaciável, que não deve ser alimentado, para que não se desenvolva e o leve a morte.


Ted Bundy, nascido em Seattle e formado pela Universidade de Washington, tornou-se um dos mais notórios e temidos assassinos em série dos EUA, por ter espancado, estuprado e matado pelo menos trinta meninas e moças comidades entre doze e vinte-e-um anos. Pouco antes de ser executado, Ted foi entrevistado pelo psicólogo cristão Dr. James Dobson. O mais impressionante é que Ted admitiu não possuir nenhum dos desencadeadores normalmente associados com tal pecado sexual, por ter sido criado num lar cristão afetuoso com mais cinco irmãos e não experimentou nenhum tipo de abuso sexual na infância. Ao invés disso, ele confessoucom todos os detalhes como ainda jovem começou, como a maioria dos meninos, a ler revistas pornográficas, o que o levou a usar formas mais fortes e degradantes de pornografia, as quais, eventualmente, o levaram a praticar suas fantasias maléficas. 

Transcrição editada da conversa ocorrida não mais que dezessete horas antes de Ted ser levado para a cadeira elétrica.

James C. Dobson: São quase 2h30min da tarde. Sua execução está marcada para amanhã às 7, se não for adiada outra vez. Em que você está pensando? O que tem passado pela sua cabeça nesses últimos dias?

Ted: Não vou fingir que estou sentindo que esta tudo sob controle ou que já aceitei a idéia. À vezes me sinto muito calmo e outras vezes não tenho tranquilidade nenhuma.

Uma coisa que está na minha mente é usar os minutos e horas que me restam do modo mais frutífero possível. Ajuda viver o momento, na essência de que o estamos usando produtivamente. Neste exato momento estou me sentindo calmo, em grande parte porque você está aqui comigo.


JCD: Quero que fique registrado que você foi condenado pelo assassinato de várias moças e meninas.

Ted: Sim, é verdade.


JCD: Como tudo isso aconteceu? Vamos fazer um retrospecto. Quais seriam os antecedentes deste tipo de comportamento? Você foi criado num lar que você mesmo considerava saudável. Você não foi abusado sexualmente, nem física ou emocionalmente.

Ted: Não. E essa é uma parte de toda essa situação trágica. Fui criado numa família maravilhosa com pais dedicados e amorosos, junto com 5 irmãos e irmãs. Nós crianças, éramos o centro da vida de nossos pais. Freqüentávamos regularmente a igreja. Meus pais não bebiam, fumavam ou jogavam. Na minha casa, não havia nenhum tipo de abuso físico ou briga. Não estou dizendo que era nenhum ―Leave it to Beaver‖3, mas era um ótimo lar, verdadeiramente cristão. Espero que ninguém venha com uma explicação simples, acusando minha família de ser culpada por tudo o que aconteceu.

Eu é que sei, e estou tentando contar tudo, com o máximo de honestidade possível.

Quando tinha uns 12 ou 13 anos, descobri a pornografia leve, fora de casa, no supermercado e nas bancas de jornal. Os garotos sempre exploram os arredores e as vias secundárias do bairro em que moram e, no nosso, as pessoas jogavam muitas coisas no lixo. De vez em quando, eu encontrava uns livros de pornografia pesada – mais explícitos, inclusive revistas com histórias de detetive, etc, isso é uma coisa que eu quero enfatizar. O tipo mais daninho de pornografia – e estou falando por minha própria e terrível experiência – é aquela que mistura violência com violência sexual. O casamento destas duas forças – que eu conheço muito bem – produz um comportamento terrível demais para ser descrito.


JCD: Explica para mim. O que se passava na sua mente naquela época?

Ted: Antes de irmos mais além, é muito importante para mim que as pessoas acreditem no que estou dizendo. Não quero colocar a culpa na pornografia. Não estou dizendo que foi ela que me levou a sair e fazer certas coisas. A responsabilidade pelo que fiz é toda minha. Eu assumo. Não é essa a questão. A questão é como este tipo de literatura influenciou e me ajudou a criar e moldar todos aqueles comportamentos violentos.

Programa de TV das décadas de 50 e 60, ícone da família americana ideal (N.T.) JCD: Serviu de combustível para as suas fantasias.

Ted: No começo a pornografia serve para alimentar esse tipo de processo mental.

Depois dum certo tempo ela passa a ser instrumental na cristalização dele, se transformando em uma coisa que é quase uma entidade interior separada da nossa.


JCD: Você foi o mais longe possível nessa vida de fantasia, usando material impresso, fotos, vídeos, etc e, então sentiu a necessidade de ir além para o ato físico.

Ted: Quando você fica dependente e passa a olhar para ela como um tipo de vício, você começa a procurar coisa mais forte, material mais explícito, coisas do tipo mais grotesco. Como todo vício, você sente uma necessidade de algo mais forte que dê uma excitação maior, até que a gente chega a um ponto de onde a pornografia não passa – aquele ponto da virada, onde a gente começa a pensar que talvez fazendo aquelas coisas a gente vai conseguir ter aquele prazer que só indo além da leitura e de assistir.


JCD: quanto tempo você permaneceu nessa posição antes de começar a atacar as moças?

Ted: Alguns anos. Eu tive que lidar com uma inibição muito forte contra o crime e o comportamento violento. Eu havia sido condicionado pela minha criação e era condicionado pelo ambiente do meu bairro, da igreja e da escola. Sabia que era errado pensar nessas coisas e que, com certeza, fazer aquelas coisas era errado. Sabia que estava no meu limite e que os últimos vestígios de controle estavam sendo testados constantemente e atacados pelo tipo de vida de fantasia, altamente nutrida pela pornografia.


JCD: Você se lembra do que o empurrou para lá de seu limite? Do momento de decisão em que você pensou ―é agora‖? Lembra de onde você chutou o balde e partiu para a ação?

Ted: É muito difícil descrever a sensação de alcançar aquele ponto onde eu vi que não mais podia me controlar. As barreiras que eu havia adquirido quando criança não eram suficientes para me impedir de sair a procura de alguém para fazer mal.


JCD: Poderíamos dizer que foi um frenesi sexual?

Ted: É, podemos usar esta descrição – é uma compulsão, um aumento gradativo dessa energia destruidora. Outro fator que não mencionei foi o uso do álcool. Junto com minha exposição a pornografia, o álcool cortou o resto das minhas inibições que já estavam corroídas pela pornografia.


JCD: Depois que você cometeu seu primeiro assassinato, qual foi o efeito emocional disso? O que aconteceu nos dias imediatamente após esse fato?

Ted: Ainda hoje, anos mais tarde, é muito difícil falar sobre isso. Reviver tudo através dessa conversa é no mínimo duro, mas quero que você entenda o que aconteceu. Foi como sair de um transe ou de um sonho horrível. Só posso comparar (e não estou superdramatizando nada) com ser possuído por uma coisa tremendamente terrível e alienígena, e na manhã seguinte acordar e lembrar-se do que aconteceu e entender que diante da lei e certamente diante de Deus você é o responsável. Acordei na manhã seguinte e percebi claramente o que havia feito, com essencialmente todos os meus sentimentos de moral e ética intactos e fiquei absolutamente horrorizado.


JCD: Até então você não sabia que seria capaz de fazer aquilo?

Ted: Não há como descrever o desejo brutal que eu tinha de fazer aquilo, e assim que o desejo foi satisfeito ou liberado, e aquele nível de energia voltou ao normal, eu me tornei eu mesmo outra vez. Virei uma pessoa normal de novo. Eu não vivia nos bares nem era um bebum. Não era um pervertido no sentido como as pessoas olham para alguém e dizem, ―Tem alguma coisa errada com esse cara‖. Eu era uma pessoa normal.

Tinha amigos normais. Vivia uma vida normal com exceção dessa pequena, mas potencialmente destrutiva parte, que mantinha totalmente em segredo comigo. Os caras como eu que são influenciados pela violência na mídia, e em particular, pela violência pornográfica, não são monstros de maneira alguma. Nós somos seus filhos e seus maridos. Crescemos em famílias normais. Hoje em dia, a pornografia pode alcançar e roubar uma criança de qualquer lar. Ela me roubou do meu lar, 20 ou 30 anos atrás. Mesmo que meus pais tenham sido diligentes em proteger seus filhos e mesmo com o lar tão cristão como o que tínhamos, não existe uma proteção contra esses tipos de influências que correm soltas numa sociedade que tolera estas coisas...


JCD: Lá fora, existem centenas de repórteres que gostariam de conversar com você mas você pediu que eu viesse porque você queria me contar algo. Você acha que a pornografia pesada e, a porta que leva a ela - a pornografia leve - tem causado um estrago indescritível em homens como você e levado ao abuso e assassinato de mulheres como você fez.

Ted: Eu não sou sociólogo nem vou fingir que acredito no que John Q. Citizen pensa sobre isso, mas já estou na prisão há muito tempo e conheci muitos homens motivados para cometer violência. Todos, sem exceção, viviam profundamente envolvidos com a pornografia – profundamente consumidos por esse vício. Um estudo do próprio FBI, sobre assassinos seriais mostra que o interesse mais comum entre eles é o da pornografia. É verdade.


JCD: Como teria sido a sua vida sem esta influência?

Ted: Eu sei que teria sido muito melhor, não apenas para mim, mas para muitas outras pessoas, as vítimas e os familiares. Sem dúvida, teria sido uma vida melhor. Tenho certeza absoluta que não teria esse tipo de violência.


JCD: Se eu fosse fazer as perguntas que estão sendo feitas lá fora, uma delas seria, ―Você pensa em todas aquelas vítimas e nas famílias que ficaram traumatizadas e que, depois de todos esses anos ainda não conseguem viver uma vida normal e que nunca voltarão ao normal? Você sente remorso?

Ted: Sei que as pessoas vão me acusar de legislar em causa própria, mas com a ajuda de Deus, consegui chegar ao ponto, tarde demais, de sentir a mágoa e a dor que causei.

Sim, de verdade! Nos últimos dias tenho conversado com muitos investigadores sobre casos sem solução – assassinatos em que me envolvi. É muito duro falar disso tudo mesmo anos depois, porque reaviva todos os sentimentos e pensamentos terríveis com os quais tive que lidar diligente e continuamente e, acho, que de um modo bem sucedido. Tudo foi reaberto e eu senti a dor e o horror disso tudo. Espero que aqueles a quem causei tanta tristeza, mesmo que não creiam na sinceridade de minha tristeza, acreditem no que estou dizendo. Tem muita gente na sua cidade e comunidade, igual a mim, cujos impulsos perigosos estão sendo alimentados, dia a dia pela violência na mídia, em suas variadas formas – especialmente pela violência sexual. O que mais me assusta é ver o que passa na TV a cabo. Hoje em dia, muita da violência nos filmes que entram nos lares é um negócio que nunca seria mostrado nos filmes pornográficos de 30 anos atrás.


JCD: Nos filmes de horror com assassinatos terríveis?

Ted: É o do tipo de violência mais gráfica que passa nas telas, especialmente quando as crianças não são supervisionadas nem tem conscientes de que poderiam se tornar um Ted Bundy. De que poderiam ter uma predisposição para esse tipo de comportamento.


JCD: Um dos últimos assassinatos que você cometeu foi o que Kimberly Leach de 12 anos. Acho que o clamor do público foi maior porque ela era uma criança inocente que foi levada de um parquinho. O que você sentiu depois disso? Os sentimentos que vieram depois disso eram normais?

Ted: Não vou conseguir falar sobre isso agora. É muito doloroso. Eu gostaria de passar para você como foi essa experiência, mas não vou conseguir falar sobre isso. Não dá nem para começar a entender a dor que os pais destas crianças e moças que eu ataquei sentem. E também não posso fazer nada por eles. Não vou fingir que posso e também não quero que eles me perdoem. Não vou pedir isso. Esse tipo de perdão vem de Deus; se eles puderem me perdoar, tudo bem, senão talvez consigam um dia.


JCD: Você acha que merece a punição imposta pelo estado para você?

Ted: Esta pergunta é muito boa. Não quero morrer, não vou lhe enganar. Com certeza, eu mereço a pior punição que a sociedade possa dar. E acho que a sociedade precisa ser protegida contra mim e outros como eu. Isto é certo. O que eu espero é que da nossa conversa saia a conclusão de que a sociedade tem que ser protegida dela mesma. Como já falamos, existem forças que correm soltas neste país, especialmente este tipo de pornografia pesada, onde por um lado, as pessoas-de-bem condenam o comportamento de um Ted Bundy ao mesmo tempo que passam por uma banca de jornal cheia das mesmas coisas que empurram os jovens ladeira abaixo na direção de se tornar ―Ted Bundy‖. Essa é a ironia. Quero dizer que é preciso ir alem de uma retribuição, que é o que o povo quer. Matar-me não vai trazer de volta aquelas crianças lindas para os seus pais e corrigir a situação e mitigar a dor. Mas tem muitas outras crianças brincando nas ruas agora mesmo, pelo país a fora que estarão mortas amanhã e no dia seguinte e no outro, porque outros jovens estão lendo e vendo este tipo de coisas, disponíveis por toda parte na mídia.


JCD: Há um cinismo tremendo a seu respeito lá fora, com razão, suponho. Não sei se as pessoas vão acreditar no que você disser, mesmo assim você contou (e eu soube através de nosso amigo comum John Tanner) que você aceitou o perdão de Jesus Cristo e agora é um seguidor e crê nele. Isso lhe dá forças à medida que sua hora está se aproximando?

Ted: Sim, claro. Não vou dizer que me sinto confortável no Vale da Sombra da Morte, que me sinto forte e nada pode me perturbar. Não é brincadeira não. É uma sensação de solidão, mas digo para mim mesmo que, de um modo ou de outro, todo mundo, um dia, vai passar por isso.


JCD: Ao homem é dado morrer uma vez.

Ted: Muitos milhões de pessoas que um dia caminharam por essa terra antes de nós passaram por isso. É uma experiência que todos compartilhamos.


Ted Bundy foi executado às 7h15min da manhã, do dia seguinte da gravação dessa conversa. 

Conclusão, o pecado leva à morte. Jesus morreu pelo seu pecado. Você está no meio duma guerra. Seja homem. Mate o seu pecado.


Mark Driscol - Do livro - SEXUALIDADE E REFORMISSÃO