segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Líderes qualificados, igrejas abençoadas (Estudo 6)


6. O LÍDER E O DINHEIRO
As expressões que vamos estudar neste bloco referem-se ao dinheiro e aos bens materiais. Paulo diz que o bispo (presbítero) não  pode ser “avarento” (v.3) e que os diáconos não podem ser “cobiçosos de sórdida ganância” (v.8). Em Tt 1.7 torna a dizer: “O bispo… não seja… cobiço de torpe ganância”. Em muitas outras passagens, a Bíblia adverte os crentes contra a avareza, a cobiça ou a ganância.
Alguns líderes, ministrando aos demais, são especialmente tentados nesta área. Mas eles devem ser “modelos do rebanho” nesta questão também.
O dinheiro não é mau
Inicialmente, é preciso esclarecer que o dinheiro em si mesmo não é mau. Leia I Tm 6.9-10 e observe que a Bíblia não proíbe a posse de riquezas, mas a ambição pela riqueza a qual expõe os ho¬mens a “tentação e citada”, as “concupiscências insensatas e perniciosas”. E acrescenta: “o amor ao dinhei-ro é raiz de todos os males”. Não é o dinheiro que é mau, mas o “amor ao dinheiro”, a ambição desmedida, a cobiça. Note que o apóstolo está falando de “homens cuja mente é pervertida… su-pondo que a piedade é fonte de lucro” (vs. 3-5). O cifrão domina suas mentes e é a sua motivação.
A Bíblia conta a história de grandes homens de Deus que foram multo ricos. Deus mesmo os en-riqueceu não somente porque queria ser glorificado neles, mas também porque os amava. Além disso, aprendemos na Bíblia que quando Deus enriquece a alguns, Ele o faz não apenas para o seu “aprazimento”, mas também e especialmente para “que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir…”  (I Tm 6.17-18. Ver At 2.44-45; 4.34-35; II Co 8.14-15).
Uma questão de prioridade.
Falando das necessidades materiais, Jesus disse. “…vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt 6.32-33). Jesus ensinou também que não devemos ajuntar tesouros no terra, mas no céu, e acrescentou: “Porque onde esta o teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mt 6.19-21). Ver também. Cl 3.1-2.
Trata-se de um “estilo de vida”, determinado por aquilo que é mais importante e duradouro. O dinheiro e os bens são importantes e necessários, mas são meios, não o fim ou propósito de nossas vidas. Tornamo-nos materialistas, egoístas, avarentos e gananciosos quando amamos o dinheiro e os bens, e fazemos deles o alvo de nossas vidas.
A tandência humana.
A tendência humana é esquecer-se de Deus quando as riquezas prosperam. Os filhos de Israel en-frentaram esta tentação quando entraram na Terra Prometida. E Moisés os advertira de antemão, dizendo: “Havendo-te, pois o Senhor teu Deus introduzido na terra que… prometeu… te daria, grandes e boas cidades…, casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste… guarda-te, para que não esqueças o Senhor…” (Dt 6.10-12). E outra vez: “Guarda-te, não te esqueças do Senhor teu Deus, não cumprindo os Seus mandamentos… Não digas no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas” (Dt 8.11,17). Aprendamos esta lição de Israel. As bênçãos materiais que Deus nos concede podem vir a se transformar em uma maldição. Podemos nos esquecer dAquele que no-las concedeu. É a tendência humana. Podemos ficar tão envolvidos com as coisas materiais da vida que perdemos a perspectiva espiritual. O dinheiro pode se transformar num fim em Si mesmo e não num meio para alcançar os propósitos divinos.
Atentação do Iíder espiritual
A Bíblia faz-nos saber que os líderes espirituais enfrentarão tentações particulares em relação ao dinheiro. Eis por que Paulo, ao especificar as qualificações dos presbíteros e dos diáconos, incluiu isto: “não sejam… avarentos”, “cobiçosos de torpe ganância” (I Tm 3.3; Tt 1.7). Pedro também recomendou aos presbíteros: “Pastoreai o rebanho de Deus. . não por sórdida ganância, mas de boa vontade” (1 Pe 52). Entre os cristãos verdadeiros e espirituais do primeiro século havia homens com falsas motivações “…enganadores… ensinando o que não devem, por torpe ganância” (Tt 1.10,11).
Entretanto, é preciso esclarecer que é a vontade de Deus que os líderes espirituais que se dedi¬cam integralmente ao ministério sejam sustentados financeiramente pelas igrejas. Paulo escreveu aos coríntios: “Se vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?… Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados, do próprio templo se alimentam? e quem serve ao altar, do altar tira o seu sustento? Assim ordenou o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho…” (I Co 9.6-14). E a Timóteo, o mesmo apóstolo escreveu: “Devem ser considerados merecedores de dobrada honra (o sentido literal é dobrados honorários) os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na Palavra e no ensino” (I Tm 5.17).
Houve ocasiões em que o apóstolo Paulo não recebeu dinheiro das igrejas e, além de pregar o evangelho, trabalhou fabricando tendas a fim de sustentar-se (At 20.34; I Co 18.3-4). Todavia, ele dizia ter o direito de não trabalhar (noutra profissão, visando sustento) e receber da igreja (I Co 9.6,7,12). Noutras ocasiões ele aceitou de bom grado as ofertas que lhe foram enviadas (ver Fl 4.15.18). Naquelas ocasiões, ele quis evitar que os pagãos interpretassem mal suas motivações, não queria ser associado com os falsos mestres cuja motivação era o dinheiro; algumas vezes, ele quis sustentar-se através de um trabalho braçal a fim de prover um bom exemplo para indivíduos que não gostavam de trabalhar (II Ts 3.7-11).
A lição como um todo está muito clara. Os lideres espirituais devem ser cautelosos. Infelizmente o mundo do século vinte também está cheio de aproveitadores religiosos. Mesmo entre os crentes evangélicos existem Iíderes que se aproveitam das igrejas financeiramente. E isto é uma tragédia! 0 reverso também acontece, e é igualmente trágico. Paulo escreveu aos filipenses:  “…no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo, no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros…” (Fl 5.15). Dar as cousas espirituais e receber os bens materiais; dar os bens materiais e receber as cousas espirituais. Ver outra vez I Co 9.11 e Rm 15.26-27.


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