terça-feira, 8 de maio de 2012

A Alegria de Dar


Por Samuel Vieira 

Conhecido escritor e conferencista brasileiro escreveu um livro com título extremamente sugestivo: “Dar, uma graça que poucos desejam”. De fato, a questão da generosidade não faz parte da nossa cultura, isto pode ser fruto tanto de nossas origens antropológicas quanto de conceitos religiosos. Outros países, em geral, são muito mais generosos que o nosso.
O Dr. Horace Mann, educador, ao inaugurar uma instituição de apoio a crianças afirmou: “Se todo o dinheiro e toda energia despendida, resultaram na salvação de uma única criança, este trabalho não terá sido em vão”.
Mais tarde, um dos presentes afirmou: “Sr Mann, não terá sido um exagero de sua parte dizer que todo o esforço valeria a pena se uma criança fosse salva?”. Ao que ele respondeu: “Não, se fosse o meu filho”.
Muitas vezes ficamos desestimulados quando vemos o enorme desafio social que temos diante de nós. O desafio da violência, do abuso sexual de crianças, da exploração infantil, da prostituição, da desagregação social, da malandragem política, da corrupção endêmica, da fragmentação familiar, do uso de drogas, da marginalização do pobre no processo decisório e político, na insaciabilidade dos poderosos, etc., A nossa tendência é nos desculparmos dizendo que o que fizermos não vai trazer diferença significativa.
Quando alguém se defende desta forma, gosto de contar uma pequena parábola, parecida com o fato acontecido acima. Certa criança estava brincando na areia da praia, depois de uma grande ressaca que havia lançado milhares de estrelas do mar na areia e resolveu ajudar aqueles moluscos devolvendo-os ao seu habitat. Pacientemente foi apanhando uma a uma e atirando-as de volta quando alguém se aproximou e lhe perguntou sobre o que estava fazendo. E ela disse: “Estou salvando as estrelas do mar”. E o adulto afirmou: “Mas existem milhares delas na areia, o que você está fazendo não fará diferença”. E ela respondeu: “Para as demais, não. Mas para esta que eu salvei estou devolvendo a vida”.
Dar aos menos favorecidos ou ajudar alguém em necessidade é a terapia mental mais barata e eficaz que existe. Muitos problemas emocionais que enfrentamos seriam solucionados se tivéssemos condições de romper com o nosso narcisismo e egoísmo e colocássemos nossos olhos no outro. Se negarmos este “sair-de-nós-mesmos”,arriscamos perder nossa existência. Existir apenas para si é uma grande ameaça à nossa alma. Precisamos socorrer os necessitados. Por isto Jesus afirmou “mais bem aventurado é dar que receber” (At 20.35).
No meio de tanta pressão pela nossa própria subsistência, perdemos de vista esta simples verdade: Dar é um ato de auto-realização. Para muitos, no entanto, dar parece ser algo coercitivo e a oportunidade de ajudar não é privilegio. Perseguidas e acuadas pela consciência elas dão queixando-se e com má vontade.
Todos temos limites para aquilo que podemos doar, mas é necessário começar a fazer. Dê o que puder. Procure se sacrificar um pouco, caso contrário você nunca dará. Ofertas que não custam nada não valem nada. Escolha as instituições ou pessoas com as quais você se identifica e que possuem necessidades e participe do seu projeto. A alegria de dar deve continuar sendo sua. Quando você ajuda alguém no meio da tribulação e de um morro íngreme, também chega mais perto do alto.