sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Grito do silêncio

Lamentações 3.22-33

“Portanto, o que for prudente guardará, então, silêncio, porque é tempo mau” (Am 5.11).

“Pior do que uma voz que cala é um silêncio que fala” (Paula Taitelbaum). Existem pessoas que não suportam o silêncio. Sempre precisam deixar algum rádio ligado, algo fazendo um som de fundo. Estes preferem ficar em uma casa cheia de gente do que no silêncio da solidão. Talvez seja porque o silêncio potencializa os pensamentos. Gera vozes escondidas na consciência, ocultas pelo barulho constante do ativismo. O silêncio também pode trazer o sentimento de desprezo. Quando ninguém nos procura parece que ninguém se importa mais conosco. Martha Medeiros, comentando a frase de Paula diz: “Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. O silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate a nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem”. Se o silêncio fala coisas pesadas, mas verdadeiras, é importante ouvir. Sempre tomando cuidado para não tirar conclusões precipitadas em uma interpretação errada do silêncio. 
Mas, principalmente, quando ouço a palavra silêncio, lembro que na Bíblia ele aparece como sinônimo de espera. “Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio” (Lm 3.26). Na vida passamos por muitos momentos de espera, tempo que certas peças demoram um pouco para se encaixarem. Nestas horas, devemos ter paciência, perseverança em aguardar a solução em silêncio. Ao esperarmos, no silêncio ouviremos a voz de Deus nos chamando, indicando o caminho e dizendo: “É a sua vez”. 


Ouça a boa voz do silêncio.