quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Moderação e Ambição


Por John Stott - A questão da ambição (Mt 6. 25-34)
Precisamos de alguma coisa pela qual viver, algo que dê significado à nossa existência. A ambição refere-se aos alvos de nossa vida e ao incentivo que temos de atingi-los.


A questão da ambição (Mt 6. 25-34)


Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? 26Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não vaieis vós muito mais do que as aves? 27Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acres­centar um cavado ao curso da sua vida? 28E por que andais an­siosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31Portanto não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? 32porque os gentios é que procuram todas estas cousas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. 132Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.


Queremos acumular tesouros? Então, qual das duas possibilidades é mais durável?

Queremos servir ao melhor dos senhores? Então devemos considerar qual é o mais digno da nossa devoção.

Apenas depois que tivermos assimilado em nossas mentes a durabilidade comparativa dos dois tesouros (o corruptível e o incorruptível) e o valor comparativo dos dois senhores (Deus e Mamom), estaremos prontos a fazer a escolha.

E só depois que tivermos feito a nossa escolha — o tesouro ce­leste, a luz, Deus — estaremos preparados para ouvir as pala­vras que seguem:

Por isso vos digo como deveis vos comportar: Não andeis ansiosos pela vossa vida. . . nem pelo vosso corpo. . . buscai, pois, em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça (vs. 25, 33).

A linguagem de Cristo sobre a busca (contrastando os gentios no que os seus discípulos devem buscar em primeiro lugar; vs. 32, 33) introduz-nos à questão da ambição.

Jesus considerou que todos os seres humanos "buscam" alguma coisa. Não é natural que as pessoas fiquem à deriva, sem alvo na vida.

Precisamos de alguma coisa pela qual viver, algo que dê significado à nossa existência, alguma coisa para "buscar", alguma coisa sobre a qual colocar o nosso coração e a nossa mente.

A ambição refere-se aos alvos de nossa vida e ao incentivo que temos de atingi-los.

A ambição de uma pessoa é aquilo que a impele: revela a mola principal de suas ações, suas mais secretas motivações.

Novamente, nosso Senhor simplifica o assunto para nós, redu­zindo em apenas duas as alternativas possíveis de alvos na vida.

Nesta seção, ele as confronta uma com a outra, insistindo com os seus discípulos que não se preocupem com a própria segu­rança (alimento, bebida e vestimentas), pois essa é a obsessão dos "gentios", que não o conhecem; mas que se preocupem antes com o reino de Deus e com a justiça divina, bem como com a sua propagação e o seu triunfo no mundo.

A. AMBIÇÃO FALSA OU SECULAR: NOSSA PRÓPRIA SEGURANÇA MATERIAL

Três vezes Jesus repete a sua proibição Não andeis ansiosos (vs. 25, 31, 34), ou "Não fiquem aflitos". E a preocupação que ele nos proíbe é quanto ao alimento, quanto à bebida e quanto à roupa: Que comeremos? Que beberemos? Que vestiremos? (v. 31).

Basta olhar para a propaganda na televisão, nos jornais e nos transportes públicos para vermos uma vivida ilustração moderna do que Jesus ensi­nou há cerca de dois mil anos atrás.

Por favor, não me entendam mal. Jesus Cristo não negou nem desprezou as necessidades do corpo. Para se dizer a verdade, foi ele que o criou, e dele ele cuida. E acabou de nos ensinar a orar: "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje".

O que, então, ele está a dizer? Está enfatizando que ficar absorto pelo conforto material é uma falsa preocupação.

De um lado, não é produtivo (exceto pelas úlceras e pelas preocupações novas que surgem); por outro, não é necessário (porque "vosso Pai celeste sabe que necessitais . . .", vs. 8 e 32); mas especialmente porque não vale a pena.

Indica uma falsa visão dos seres humanos (como se fossem apenas corpos precisando de alimento, água, roupas e casa) e da vida humana (como se fosse apenas um mecanismo fisiológico precisando de proteção, lubrificação e combustível).


Agora precisamos esclarecer o que Jesus está proibindo, e que motivos ele dá para essa proibição.

Primeiro, não está proi­bindo o pensamento. Pelo contrário, está estimulando-o quando prossegue ordenando-nos a olhar para as aves e flores e "consi­derar" como Deus cuida delas.
Segundo, não está proibindo a previdência. Já mencionei como a Bíblia aprova a formiga. Também os passarinhos, os quais Jesus elogiou, fazem provisão para o futuro, construindo ninhos, botando e chocando ovos, e alimentando os filhotes.

O que Jesus proíbe não é o racio­cínio nem a previdência, mas a preocupação ansiosa.

É a palavra que foi usada em relação a Marta, que estava "distraída" com o serviço da casa; e também em relação à boa semente lançada entre os espi­nhos, abafada pelos "cuidados" da vida; e ainda foi usada por Paulo na injunção:

"Não andeis ansiosos de cousa alguma". É como o Rev. Ryle expressou: "A provisão prudente para o futuro é boa; a fadiga, o desgaste, a ansiedade que atormenta são ruins."
Por que são ruins? Jesus replica, argumentando que esse tipo de preocupação obsessiva é incompatível, tanto com a fé cristã (vs. 25-30) como com o bom senso (v. 34); mas se detém mais no primeiro ponto.

1. A preocupação é incompatível com a fé cristã (vs. 25-30).

No versículo 30 Jesus atinge aqueles que ficam ansiosos por causa de roupa e de comida, chamando-os de "homens de pe­quena fé".

Nossa experiência humana é a seguinte: Deus criou e agora sustenta a nossa vida; ele também criou e continua sustentando o nosso corpo. Este é um fato da experiência diária.
Nós não nos fizemos, nem nos mantemos vivos. A nossa "vida" (pela qual Deus é o responsável) é obviamente mais importante do que o alimento e a bebida que nos nutrem. Semelhantemente, o nosso "corpo" (pelo qual Deus também é responsável) é mais impor­tante do que a roupa que o cobre e aquece.

Pois bem, se Deus já cuida do maior (nossa vida e nosso corpo), não podemos con­fiar nele para cuidar do menor (nosso alimento e nossa roupa)?

A lógica é inevitável e, no versículo 27, Jesus a reforça com a pergunta: Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Não está claro se a última pala­vra dessa pergunta (kêlikia) deveria ser traduzida por "curso da sua vida" (ERAB) ou "estatura" (ERC); pode significar as duas coisas.
Acrescentar meio metro à nossa estatura seria um feito realmente notável, embora Deus o faça a todos nós entre a nossa infância e a idade adulta.
Acrescentar um período de tempo ao curso de nossa vida também está fora de nosso alcance; um ser humano não pode consegui-lo sozinho.

Na verdade, ao invés de alongar a vida, a preocupação "pode muito bem en­curtá-la", como todos sabemos.

Por. isso, exatamente como deixamos essas coisas aos cuidados de Deus (pois certamente estão fora do nosso alcance), não seria sensato confiar nele para as coisas de menor importância, como o alimento e a roupa?

A seguir Jesus volta-se para o mundo sub-humano e argu­menta de outra maneira.
Ele usa as aves como ilustração do cuidado divino em alimentar (v. 26) e as flores para ilustrar o seu cuidado no vestir (vs. 28-30). Em ambos os casos, ele nos manda "olhar" ou "considerar", isto é, pensar sobre os fatos do cuidado providencial de Deus nesses dois casos.

Quando nos interessamos pelas aves e pelas flores, ficamos sabendo que os pássaros não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros, mas mesmo assim vosso Pai celeste os sustenta, e que os lírios do campo. . . não trabalham nem fiam, mas o nosso Pai ce­leste veste assim a todas, ainda mais suntuosamente que Salo­mão, em toda a sua glória.

Sendo assim, não podemos confiar nele para nos alimentar e nos vestir, já que temos muito mais valor do que as aves e as flores?

Se o Criador cuida de suas criaturas, podemos ter certeza de que o Pai também cuidará dos seus filhos.

2. Problemas relacionados com a fé cristã.


Primeiro, os crentes não estão isentos de ganhar a sua própria vida.

Não podemos ficar sentados numa poltrona, girando os polegares, murmurando "meu Pai celestial provera", sem fazer nada. Temos de trabalhar. Como Paulo disse mais tarde: "Se alguém não quer trabalhar, também não coma."

Com sua simplicidade característica, Lutero escreve: "Deus . . . não tem nada a ver com os preguiçosos, com os glutões displicentes; eles agem como se apenas devessem ficar sentados à espera de que Deus lhes atire na boca um ganso assado."

Jesus usou as aves e as flores como evidências da capacidade de Deus para nos alimentar e vestir, conforme vimos.

Mas como Deus alimenta as aves? Poderíamos responder que ele não o faz, pois elas se alimentam sozinhas! Jesus era um observador meticuloso. Ele sabia perfeitamente bem quais são os hábitos alimentares dos pássaros; sabia que alguns comem sementes, outros comem cadáveres e outros comem peixes, enquanto que outros ainda são insetívoros, predadores ou lixeiros.

Deus os alimenta a todos. Mas o modo como o faz não é estendendo-lhes uma mão divina cheia de comida, mas providenciando na natu­reza os recursos para que eles se alimentem.

Pode-se dizer o mesmo das plantas. "As flores não fazem o trabalho dos homens no campo ('não trabalham'), nem o trabalho das mulheres em casa ('não fiam')", mas Deus as veste. Como? Não milagrosa­mente, mas através de um processo complexo que arranjou, em que elas extraem do sol e do solo o seu sustento.

O mesmo acontece com os seres humanos. Deus supre, mas nós temos de cooperar.

Jesus insiste conosco sobre a necessidade de uma confiança despretenciosa em nosso Pai ce­leste, mas ele sabe que a fé não é ingênua (ignorante das causas secundárias) nem arcaica (incompatível com a ciência moderna).

Segundo, os crentes não estão isentos da responsabilidade para com os outros.

Se Deus promete alimentar e vestir os seus filhos, por que há tanta gente sub-nutrida e mal vestida?

Eu não poderia dizer levianamente que Deus cuida só dos seus próprios filhos, e que os pobres que têm falta de alimento e roupa adequada são todos incrédulos que estão fora do seu círculo familiar, pois certamente há pessoas cristãs em algumas regiões atacadas pela seca e pela fome, as quais passam toda espécie de necessidades.

Não me parece haver uma solução simples para este problema.

Mas é preciso destacar um ponto importante, isto é, que a principal causa da fome não é a falta da provisão divina, mas uma injusta distribuição por parte do homem.

A verdade é que Deus forneceu recursos amplos na terra e no mar. A terra produz plantas que dão sementes e árvores que dão frutos. Os animais, as aves e os peixes que ele criou são frutíferos e multiplicam-se.

Mas o homem açambarca, desperdiça ou estraga esses recursos, e não os distribui.

Parece significativo que, no próprio Evangelho de Mateus, o mesmo Jesus que aqui afirma que nosso Pai aumenta e veste os seus filhos, mais tarde diz que nós mesmos devemos alimentar os famintos e vestir os nus, e que seremos julgados de acordo com isso.
Sempre é importante permitir que as Escrituras interpretem as Escrituras.

O fato de Deus alimentar e vestir os seus filhos não nos isenta da responsabilidade de sermos seus agentes para isso.

Terceiro, os crentes hão estão isentos das dificuldades.

É ver­dade que Jesus proíbe que o seu povo se preocupe.

Mas estar livre de preocupações e estar livre de dificuldades não é a mesma coisa.

Cristo nos manda deixar de lado a ansiedade, mas não promete que seremos imunes a todos os infortúnios.

No final deste parágrafo, o motivo por que Jesus diz que não deve­mos ficar inquietos com o dia de amanhã é o seguinte: basta ao dia o seu próprio mal (v. 34).

Portanto, haverá "cuidados" (kakia, "males").

A libertação que um cristão tem da ansiedade não se deve a alguma garantia de ausência de cuidados, mas por ser a preocupação (que examinaremos mais tarde) uma in­sensatez, e especialmente pela confiança que temos de que Deus é nosso Pai, que até mesmo a permissão para o sofrimento está dentro da órbita do seu cuidado, e que "todas as cousas coo­peram para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito"

Portanto, os filhos de Deus não têm a promessa de que ficarão livres do trabalho, nem da responsabilidade, nem das dificuldades, mas apenas da preocupação. Esta, sim, nos é proibida: é incompatível com a fé cristã.


3. A preocupação é incompatível com o bom senso (v. 34).

No versículo 34, Jesus menciona o hoje e o amanhã.

Sempre que ficamos ansiosos, ficamos preocupados no momento pre­sente sobre alguma coisa que vai acontecer no futuro.

Entre­tanto, esses temores sobre o amanhã, que sentimos com tanta força hoje, talvez não se concretizem.

O conselho popular "não se preocupe, talvez não aconteça nunca", sem dúvida não é nada simpático, mas perfeitamente verdadeiro.
As pessoas se preocupam com os exames, ou com um emprego, ou com o casa­mento, ou com a saúde, ou com algum empreendimento . . . Mas tudo isso é fantasia. "Os temores podem ser mentirosos"; e geralmente o são.

Portanto, a preocupação é uma perda de tempo, de pensa­mentos e de energia nervosa.

Precisamos aprender a viver um dia de cada vez. Devemos, naturalmente, planejar o futuro, mas não nos preocupar com ele.
"Vivam um dia de cada vez", ou "Bastam a cada dia suas próprias dificuldades".

Jesus nos convoca para uma ambição mais alta.


B. AMBIÇÃO VERDADEIRA OU CRISTÃ: O REINO E A JUSTIÇA DE DEUS.

É importante examinar os versículos 31, 32 e 33 juntos.

O versí­culo 31 repete a proibição contra a ansiedade pelo alimento, pela bebida e pela roupa. O v. 32 acrescenta: Os gentios é que procuram todas estas cousas. Isto mostra que, no vocabulário de Jesus, "procurar" e "ficar ansioso" são intercambiáveis. Ele não está falando tanto de ansiedade, mas de ambição.

A ambição dos pagãos está focalizada nas necessidades materiais.

Mas isto não pode acontecer com os cristãos, em parte porque vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas, mas, prin­cipalmente, porque estas coisas não constituem objetivo apro­priado ou digno da busca do cristão.

Ele deve ter algo diferente, algo mais elevado, como o Bem Supremo, para procurar com toda a energia; não coisas materiais, mas valores espirituais;

Não o seu próprio bem, mas o de Deus; não alimento e roupa, mas o reino e a justiça de Deus.


1. Buscar primeiro o reino de Deus.

O reino de Deus é Jesus Cristo governando o seu povo, com exigências e bênçãos, que desconhecem meios-termos.

"Buscar primeiro"  este reino é desejar, como coisa de primordial importância, a propagação do reino de Jesus Cristo.

Tal desejo começará em nós mesmos, até que cada setor de nossa vida (lar, casamento e família, mora­lidade pessoal, vida profissional e ética comercial, saldo ban­cário, imposto de renda, estilo de vida, cidadania) seja subme­tido, prazeirosa e francamente, a Cristo. Esse desejo continuará, em nosso ambiente imediato, com a aceitação da responsabili­dade evangelística para com nossos parentes, colegas, vizinhos e amigos.

E também atingirá a preocupação pelo testemunho missionário mundial da Igreja.

Deus é Rei, inaugurou seu reino de salvação através de Cristo, e tem o direito de governar a vida de suas cria­turas. Nossa ambição, então, é buscar primeiro o seu reino, acalentar o desejo ardente de que o seu nome receba dos homens a honra a que tem direito.

Buscar primeiro o reino inclui o desejo e a oração por sua consumação no fim dos tempos, quando todos os inimigos do Reino forem colocados sob os seus pés e o seu reino for incontestável.

2. Buscar primeiro a justiça de Deus.

O reino de Deus existe apenas onde Jesus Cristo é consciente­mente reconhecido. E buscá-lo em primeiro lugar é propagar as boas novas da salvação em Cristo.

Mas a justiça de Deus é um conceito mais amplo do que o reino de Deus.

Inclui aquela justiça individual e social à qual se fez referência anteriormente no Sermão.

Um dos propósitos de Deus para a sua comunidade nova e redimida é que, através dela, a sua justiça se faça agradável (na vida pessoal, familiar, comercial, nacional e internacional), e por isso a recomenda a todos os homens.

Então as pessoas que estão fora do reino de Deus vão vê-la e desejá-la, e a justiça do reino de Deus transbordará, por assim dizer, sobre o mundo dos não-cristãos.

A fim de buscar primeiro a justiça de Deus, temos também de evangelizar (pois a justiça interior do coração torna-se impossível de outro modo),

Também temos de nos envolver em atividades e empreendimentos sociais para propagar por toda a comunidade aqueles padrões mais elevados de justiça que são agradáveis a Deus.


Qual é, então, a nossa ambição cristã?
As ambições voltadas para o ego podem ser bastante modestas (o suficiente para comer, beber e vestir, como no Sermão) ou podem ser grandiosas (uma casa maior» um carro mais possante, um salário melhor, uma reputação mais influente, mais poder). Mas, modestas ou não, são ambições dirigidas a mim mesmo: meu conforto, minha riqueza, meu status, meu poder.
As ambições voltadas para Deus,  entretanto,  para serem dignas dele, nunca devem ser modestas. Há algo inerentemente impróprio em se ter pequenas ambições para Deus. Como pode­ríamos nos contentar em que ele adquira só mais um pouquinho de honra no mundo? Não. Quando percebemos que Deus é Rei, então desejamos vê-lo coroado de glória e honra, no lugar a que tem direito, que é o lugar supremo. Então tornamo-nos ambi­ciosos pela propagação do seu reino e da sua justiça por toda parte.

Quando isto constitui genuinamente a nossa ambição predo­minante, então não só todas estas cousas vos serão acrescentadas (isto é, nossas necessidades materiais serão supridas), como também não haverá mal algum em ter ambições secundárias, uma vez que estas serão subservientes à nossa ambição primária e não competirão com ela.

Na verdade, só então é que as ambi­ções secundárias tornam-se sadias. Os cristãos deveriam ser zelosos em desenvolver os seus talentos, alargar as suas oportu­nidades, estender a sua influência e receber promoções em seu trabalho, não mais para fomentar o seu próprio ego ou edificar o seu próprio império, mas sim para, através de tudo o que façam, glorificar a Deus.

Ambições menores são sadias e cor­retas, contanto que não constituam um fim em si mesmas (isto é, em nós mesmos), mas sejam o meio de alcançar um fim maior (a propagação do reino e da justiça de Deus) e, portanto, o maior de todos, isto é, a glória de Deus. Este é o "Bem Supremo" que devemos buscar primeiro; não há outro.

Estudo Bíblico ministrado dia 07/09/2011 na IPCC