segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mães más


Por Dr. Carlos Hecktheuer - Médico Psiquiátrico
Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães,  eu hei de dizer-lhes:
____  Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde  vão, com quem vão e a que horas regressarão.
____  Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
____  Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: " Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

____  Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpaam seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
_____ Eu os amei o suficiente para os deixar ver além  do amor que eu sentia por vocês o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
_____ Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
_____ Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em momentos até odiaram).

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci...

Porque no final vocês venceram também!

E em qualquer dia quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão  lhes dizer:

____ Sim, nossa  mãe era má. Era a mãe mais má do mundo....

____ As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.
____ As outras crianças bebiam  refrigerante e cmiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne,  legumes  e frutas. E ela  nos obrigava a jantar à mesas, bem diferente das outras mães que deixaam seus filhos comerem vendo televisão.
____ Ela insistia em saber onde estáamos a toda hora (tocava nosso celular nos mais diversos horários e "fuçava" nos nossos e-mails). Era quase uma prisão.
____ Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas apenas uma hora ou menos.
____ Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela "violava as leis do trabalho intantil".  Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que acháamos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.
____ Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade  e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela conseguia aaaté ler os nossos pensamentos.
____ A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos, tínhamos que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
____ Enquanto os outros, com 12 anos, podiam voltar bem tarde, à noite, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde e ela ainda levantava para saber se festa foi boa (só para ser como estávamos ao voltar).
____ Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescênca.
____ Nenhum de nós esteve envolido com drogas, nem roubo, em atos de vandalismo, em iolação de propriedades, nem fomos presos por nenhum crime.

____ Foi tudo por causa dela!

____ Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o nosso melhor para sermos " PAIS MAUS", como minha mãe foi.

"Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes mães más".