terça-feira, 26 de junho de 2012

Impedimentos à Oração



Como Orar
O caminho para a intimidade com Deus - R. A. Torrey


Capítulo 9 - Impedimentos à Oração

Existem algumas coisas que prejudicam a oração. Deus tornou isso bem claro na Sua Palavra:




1. O primeiro impedimento à oração é encon­trado em Tiago 4:3: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres".
Um propósito egoísta na oração rouba-lhe o poder. Muitas orações são egoístas. Pode tratar-se de coisas perfeitamente adequadas para ser objeto de peti­ção, coisas que sejam da vontade de Deus conceder, mas o motivo da oração é inteiramente errado, e assim ela se anula. O verdadeiro propósito na oração é para que Deus possa ser glorificado na resposta. Se pedirmos algo simplesmente para recebermos o que pedimos e usá-lo em nossos prazeres ou em nossa própria gratifi­cação, estamos "pedindo mal" e não devemos esperar receber aquilo que pedimos. Isto explica por que muitas orações permanecem sem resposta.
Por exemplo, muitas mulheres estão orando pela conversão de seus maridos. É certo fazer isso; mas o motivo pelo qual pedem a conversão é impróprio, é egoísta. Ela quer que o marido se converta porque seria muito melhor para ela ter um marido que tivesse as suas mesmas ideias, ou porque é tão penoso pensar em que ele poderia morrer e estar perdido para sempre. Por razões assim egoístas ela quer que o marido se converta. A oração é puramente egoísta. Por que a mulher deveria desejar a conversão do marido? Em primeiro lugar e acima de tudo, para que Deus possa ser glorificado; porque ela não pode suportar a ideia de que Deus, o Pai, possa ser desonrado pelo fato de o marido pisar sobre o Filho de Deus.
Muitos oram por um reavivamento. Essa é certa­mente uma oração que agrada a Deus, está dentro da Sua vontade; mas muitas orações nesse sentido são puramente egoístas. As igrejas desejam isso para ver crescer o número de membros, para que possam ter mais poder e influência na comunidade, para encher os seus cofres, para que um bom relatório possa ser feito no presbitério, na conferência ou associação. Com propósitos tão inferiores como esses, as igrejas e ministros frequentemente oram pedindo um reaviva­mento, e Deus com frequência também não responde à oração. Por que deveríamos orar pedindo um reavi­vamento? Para a glória de Deus, porque não podemos suportar que Deus continue a ser desonrado pelo mundanismo da igreja, pelos pecados dos incrédulos, pela arrogante incredulidade de nossos dias; porque a Palavra de Deus está sendo invalidada; para que Deus possa ser glorificado ao derramar Seu Espírito na Igreja de Cristo. Por essas razões, em primeiro lugar e acima de tudo, devemos orar por um reavivamento.
Muitas orações pedindo o Espírito Santo são puramente egoístas. É com certeza da vontade de Deus conceder o Espírito Santo àqueles que pedirem tal coisa - Ele nos disse isso claramente na Sua Palavra (Lucas 11:13), mas muitas orações nesse sentido estão sendo prejudicadas pelo egoísmo do motivo que está Por trás da oração. Homens e mulheres pedem o Espírito Santo para que possam ser felizes, ou para ficarem livres das dificuldades em sua vida, ou para terem poder como obreiros cristãos, ou qualquer outro motivo puramente egoísta. Por que devemos orar pedindo o Espírito? Para que Deus não possa ser mais desonrado pelo baixo nível de nossas vidas cristãs e pela nossa ineficiência no serviço, para que Deus possa ser glori­ficado na nova beleza que entra em nossa vida e no novo poder que passa a fazer parte do nosso serviço.

2. O segundo impedimento à oração está em Isaías 59:1-2: "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça”.
O pecado impede a oração. Muitos homens oram repetidamente, e não obtêm qualquer resposta. Talvez sejam tentados a pensar que não é da vontade de Deus responder, ou que os dias em que Deus responde às orações se é que Ele o fazia, já passaram. Os israelitas parece que pensavam assim. Pensavam que a mão do Senhor estava encolhida, e que se tornara surdo, não podendo mais ouvir.
"Mas, não é assim" disse Isaías, "o ouvido de Deus está tão bom como sempre. Sua mão continua poderosa para salvar; mas existe um impedimento. Esse impedimento é o seu pecado. Suas iniquidades fizeram separação entre vocês e o seu Deus, e os seus pecados ocultaram a Sua face, para que não possa ouvi-los."
O mesmo acontece hoje. Muitos estão clamando em vão a Deus, simplesmente por causa do pecado em sua vida. Pode tratar-se de algum pecado passado, que não foi confessado e ficou sem julgamento, pode ser algum pecado presente que esteja sendo abrigado e, provavelmente, nem sequer é considerado como pecado, mas este está ali, oculto em algum lugar do coração ou na vida da pessoa, e Deus "não vai ouvir".
A pessoa que descobre que suas orações não são eficazes, não deve concluir que o seu pedido não está de acordo com a vontade de Deus, mas deve aproximar-se dEle com a oração do salmista: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno" (SI 139:23,24), e esperar diante dEle até que coloque o dedo naquilo que não Lhe agrada. Esse pecado deve ser então confessado e afastado.
Lembro-me de uma ocasião em que eu estava orando por duas coisas definidas que, segundo me pare­cia, eu deveria ter ou Deus seria desonrado; mas a res­posta não veio. Acordei no meio da noite em grande sofrimento físico e grande angústia de alma. Clamei a Deus por essas coisas, raciocinei com Ele como era tão necessária a sua obtenção, e imediatamente; mas não tive resposta. Pedi a Deus que me mostrasse se havia algo errado em minha vida. Algo me veio à mente, algo em que eu muitas vezes pensara, alguma coisa definida que eu não estava disposto a confessar como pecado. Eu disse a Deus: "Se isto é errado, vou desistir de fazê-lo", mas mesmo assim não veio a resposta. Em meu íntimo, apesar de nunca tê-lo admitido, eu sabia que era errado.
Finalmente eu disse:
"Isto está errado. Pequei. Vou desistir."
Encontrei paz. Em poucos minutos estava dormindo como uma criança. Acordei pela manhã bem disposto fisicamente, e o dinheiro, que era tão necessário para a honra do nome de Deus, veio.
O pecado é uma coisa terrível, e uma das coisas mais terríveis a respeito dele é a maneira como impede as orações, a maneira como interrompe a comunicação entre nós e a fonte de toda a graça, poder e bênção.
Quem quiser ter poder na oração precisa ser impiedoso com os seus próprios pecados. "Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá." (SI 66:18.) Enquanto nos apegarmos ao pecado ou tivermos qualquer controvérsia com Deus, não pode­mos esperar que Ele ouça as nossas orações. Se houver algo que estiver surgindo constantemente em seus momentos de íntima comunhão com Deus, é isso que impede a oração: afaste-o.

3. O terceiro impedimento à oração é encontrado em Ezequiel 14:3: "Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos dentro em seu coração, tropeço para a iniquidade que sempre têm eles diante de si; acaso permitirei que eles me interroguem?" Os ído­los no coração fazem com que Deus se recuse a ouvir as nossas orações.
O que é um ídolo? Um ídolo é qualquer coisa que tome o lugar de Deus, qualquer coisa que se torne o objeto supremo de nossas afeições. Somente Deus tem direito ao lugar supremo em nossos corações. Tudo e todos devem subordinar-se a Ele.
Muitos homens fazem um ídolo de suas esposas. Não que um homem possa amar demais a esposa, mas pode colocá-la no lugar errado, pode colocá-la adiante de Deus; e quando o homem considera o prazer da esposa antes do prazer de Deus, quando lhe dá o primeiro lugar e a Deus o segundo, a esposa é um ídolo, e Deus não pode ouvir as orações dele.
Muitas mulheres fazem um ídolo de seus filhos. Não se trata de amarmos demasiado a nossos filhos. Quanto mais amamos a Cristo, tanto mais amamos nossos filhos. Mas podemos colocar nossos filhos no lugar errado, podemos colocá-los adiante de Deus, e seus interesses antes dos interesses de Deus. Quando fazemos isso nossos filhos são os nossos ídolos.
Muitos homens fazem de sua reputação ou de seu negócio o seu ídolo. A reputação ou o negócio é colocado adiante de Deus, e Este não pode ouvir as orações de tal homem.
Uma grande pergunta para nós decidirmos, se quisermos poder na oração, é esta: Deus é absolutamente o primeiro? Ele está adiante da mulher, dos filhos, da reputação, do negócio, de nossa própria vida? Caso negativo, a oração eficaz é impossível.
Deus frequentemente chama nossa atenção para o fato de termos um ídolo, não respondendo nossas orações, e nos levando assim a perguntar por que as mesmas não são respondidas, e descobrindo então o ídolo que, depois de afastado, permite que Deus ouça as nossas orações.

4. O quarto impedimento à oração é encontrado em Provérbios 21:13: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido".
Não existe talvez maior impedimento à oração do que a sovinice, a falta de liberalidade em relação ao pobre e ao serviço de Deus. É aquele que dá generosamente aos outros que recebe generosamente de Deus. "Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também." (Lucas 6:38.) O homem generoso é poderoso na oração. O mesquinho não tem poder na oração.
Uma das declarações mais maravilhosas sobre a oração eficaz (a que já me referi) é 1 João 3:22, "e aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos diante dele o que lhe é agradável", e está ligada com a generosidade em relação aos necessitados. O contexto nos diz que é quando amamos, não de palavra ou de língua, mas em obras e em verdade, quando abrimos o nosso coração ao irmão necessitado, é então e somente então, que temos confiança para com Deus na oração.
Muitos homens e mulheres que estão buscando descobrir o segredo de sua falta de poder na oração, não precisam ir muito longe; não é nada mais nada menos do que simples sovinice. George Muller, a quem já me referi, era um homem poderoso de oração porque era poderoso no dar. O que recebia de Deus nunca se apegava aos seus dedos, ele imediatamente o passava a outros. Estava constantemente recebendo porque dava constantemente. Quando pensamos no egoísmo da igreja professa hoje em dia, como as igrejas ortodo­xas deste país não chegam à média de um dólar por ano por membro para as missões estrangeiras, não é de admirar que a igreja tenha tão pouco poder na oração. Se quisermos receber de Deus precisamos dar a outros. A promessa talvez mais admirável na Bíblia com rela­ção ao suprimento de nossas necessidades por parte de Deus é Filipenses 4:19, "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades". Esta promessa gloriosa foi feita à igreja de Filipos e estava ligada à sua generosidade.

5. O quinto impedimento à oração é encontrado em Marcos 11:25: "E quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas".
Um espírito que não perdoa é um dos impedi­mentos comuns à oração. A oração é respondida com base no fato de nossos pecados terem sido perdoados; mas Deus não pode tratar conosco na base do perdão se estivermos abrigando inimizade contra os que nos fizeram mal. Quem quer que esteja sentindo ressenti­mento contra outra pessoa irá fechar o ouvido de Deus à sua própria petição. Quantos há que estão clamando a Deus pela conversão do marido, esposa, filhos, amigos, e se perguntando por que a sua oração não é respon­dida, quando o segredo está em algum ressentimento que ocultam no coração contra alguém que os tenha prejudicado, ou que julgam que os prejudicou. Muitos pais e mães estão permitindo que seus filhos vão para a eternidade sem estar salvos, pela miserável satisfação de odiar alguém.

6. O sexto impedimento à oração é encontrado em 1 Pedro 3:7: "Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consi­deração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, por isso que sois junta­mente herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações". Esta passagem nos diz claramente que um relacionamento errado entre o casal é um impedimento à oração.
Em muitos casos as orações dos maridos são prejudicadas pelo fato de falharem em seu dever para com as esposas. Por outro lado, é sem dúvida também verdade que as orações das esposas são prejudicadas por falharem em seu dever para com os maridos. Se os maridos e esposas procurassem diligentemente encon­trar a causa de suas orações não respondidas, iriam geralmente descobri-las em suas mútuas relações.
Muitos homens que têm grandes pretensões à piedade, sendo muito ativos no trabalho cristão, mos­tram pouca consideração no tratamento de suas espo­sas, sendo frequentemente indelicados e até brutos; depois se perguntam por que suas orações não são respondidas. O versículo que acabamos de citar explica o aparente mistério. Por outro lado, muitas mulheres dedicadas à igreja, e fiéis na frequência a todos os serviços, tratam o marido com a negligência mais imperdoável, são malcriadas e mostram-se irritadas contra eles, ferindo-os com sua língua aguçada e seu génio explosivo; e depois se perguntam por que não têm poder na oração.
Existem outras coisas no relacionamento entre marido e mulher que não podem ser faladas publica­mente, mas que sem dúvida constituem com frequên­cia um empecilho à sua aproximação de Deus em oração. Existe muito pecado oculto sob o nome sagrado do matrimonio que é causa de morte espiritual e incapacidade na oração. Qualquer homem ou mulher cujas orações não pareçam ter resposta deve expor diante de Deus toda a sua vida de casado, e pedir-lhe que coloque o Seu dedo sobre qualquer coisa que não seja do Seu agrado.

7. O sétimo impedimento à oração é encontrado em Tiago 1:5-7: "Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmen­te, e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa".
As orações são prejudicadas pela incredulidade. Deus exige que creiamos absolutamente na Sua Palavra. Duvidar dela é fazer dEle mentiroso. Muitos de nós fazemos isso quando suplicamos pelas Suas promessas, e é então de admirar que nossas orações não sejam respondidas? Quantas orações são prejudicadas pela nossa miserável incredulidade! Vamos a Deus e Lhe pedimos algo que está positivamente prometido na Sua Palavra, e então praticamente não esperamos ser aten­didos. "Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa."