quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Carta de um Filho


Por Silvia Schmidt
Pai, eu sei que você gostaria que houvesse um jeito de fazer-me enxergar a vida através dos seus olhos bem mais experientes, poupando-me de tropeçar pelo caminho. 
Eu sei que você gostaria de ter as costas mais largas para carregar também os meus fardos, para aliviar-me de pesos. 
Pai, eu sei que às vezes o mundo é cruel e que viver nele pode ser uma árdua tarefa, mas sei também que você gostaria de construir um mundo onde só houvesse o melhor para mim e onde o tempo não fosse tão curto para aprendermos, onde não houvesse pessoas capazes de ferir-me, onde eu pudesse apenas brincar de viver. Eu sei que você gostaria de dar-me esse presente.
Pai, eu sei da tristeza que você sente por não poder impedir que eu sofra, que eu fique doente, que abusem de mim, que os perigos me rondem e que a fé se desfaça em meu coração.
Sei das cicatrizes que você carrega, provocadas por ferimentos que já me atingiram no passado.
Sei das suas angústias e sobressaltos quando algo ameaça o meu tempo presente.
Sei das suas vontades e ansiedades voltadas para o meu futuro.
Ah, Pai, que maravilhoso futuro você gostaria que eu vivesse!
Eu sei disso, Pai.
E por saber tanto, eu lhe peço, ouça-me:
Se dores eu sofri, maiores elas teriam sido sem a sua presença.
Se em pedras muitas vezes eu tropeço e caio, lembro-me que foi você quem ensinou-me a levantar.
Se olho para o futuro e sinto medo, ele se vai assim que eu recorro à fé que você plantou em mim.
Agradeço a Deus por ter escolhido você para orientar os meus passos.
Foi com você que aprendi que quando a jornada torna-se difícil 
Ele nos toma nos braços.
Obrigado, Pai!