sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Ouvindo no silêncio

Isaías 1.1-3

“Ouvi, pois falarei coisas excelentes; os meus lábios proferirão coisas retas” (Pv 8.6).

Fui a um concerto em São Paulo uma vez. Fiquei impressionado com o silêncio do local. Mesmo com o teatro cheio, no momento que o pianista, violinista e demais membros do grupo entraram, pouco era possível ouvir, apenas a respiração das pessoas. Quando eles começaram a tocar, podia-se ouvir nitidamente cada nota. Distinguir o que cada instrumento estava fazendo. O silêncio só foi quebrado quando os músicos pararam de tocar. Havia uma pausa de 10 minutos para depois recomeçar o espetáculo. Nesta hora ri sozinho em meu lugar ouvindo as pessoas educadamente conversarem bem baixo e muitos tossindo (parecem que seguraram a tosse esperando o intervalo). 
O silêncio para alguns é assustador. Tem gente que diz: “Não gosto do silêncio”. Mas é interessante o poder que o silêncio tem para nos fazer ouvir coisas incomuns. Coisas que não escutaríamos sem o silêncio. Existem na vida momentos que exigem de nós toda atenção, toda concentração. Momentos que nenhum barulho deve estar presente para não nos atrapalhar a ouvir o que é mais importante. Talvez não estamos ouvindo o que é necessário por viver em meio aos muitos gritos e sons que estão por toda parte. Precisamos nos silenciar. No silêncio, Deus fala conosco. Quando inclinamos o nosso ouvido para ouvir a Deus, separados do barulho de outros sons, podemos ouvi-lo. Poderemos tomar conhecimento de coisas que antes eram imperceptíveis. Deus fala conosco de uma forma clara e agradável, como uma melodia de um concerto musical. 


Incline os ouvidos a Deus e sua alma viverá (Is 55.3).