quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Sofrimento e purificação

Jeremias 31.16-18

Muitos serão purificados, alvejados e refinados, mas os ímpios continuarão ímpios. Nenhum dos ímpios levará isto em consideração, mas os sábios sim (Dn 12.10).

Às vezes, diante da dor, das adversidades, podemos pensar que Deus não se importa conosco. Somos tentados a aceitar a ideia de que Deus nos abandonou. Mas, para o cristão, o sofrimento é a maior prova do amor de Deus, pois através dele é que somos purificados realmente. No sofrimento, somos provados e fortalecidos. “Deus nos aflige, não para nos perder ou destruir, mas para nos livrar da condenação deste mundo” (João Calvino). É confiando no santo propósito de Deus que podemos resistir firmes e suportar o sofrimento. 
Daniel recebeu uma grande revelação de Deus que afirmava que viria um tempo de grande sofrimento. Este tempo seria para a purificação dos santos, enquanto que nada mudaria para os ímpios. Diz o texto: “os ímpios continuarão ímpios”. Calvino afirma que este texto demonstra a necessidade de uma purificação constante: “Enquanto estiverem na carne, assim como as vestes que são usadas diariamente têm a necessidade de ser lavadas continuamente, os fiéis têm a necessidade de purificação”.  
Mas, e se nós já somos lavados e purificados pelo sangue de Jesus? Qual a necessidade do sofrimento? O pastor Felipe Rodrigues Costa responde esta pergunta dizendo: “O sangue de Jesus tem em vista o cancelamento dos nossos pecados para que não mais sejamos julgados e condenados. O sofrimento, por outro lado, tem a função de purificar aqueles que já são salvos, ou seja, os crentes em Jesus, e que ainda precisam ser purificados da corrupção do pecado que ainda está em nossa vida terrena”.
O sofrimento quebra nossa resistência oposta a Deus. “O pecador entra contritamente em si mesmo e reconhece a sua culpa. É precisamente em meio ao mais amargo sofrimento que surge o desejo de comunhão com Deus” (Josef Scharbert).

O sofrimento purifica a piedade e é caminho de cura.