quarta-feira, 9 de maio de 2012

Numa tarde quente


Numa tarde quente de um forte verão, transpirando demasiadamente e com muita sede, bateu a porta de uma casa humilde um pobre moço que vendia livros, a fim de se manter nos estudos. Queria oferecer alguns dos livros que levava.
Veio atendê-lo uma mocinha com ares ingênuos, porém muito educada, atenciosa e meiga.

- Minha mãe não está em casa. Foi a cidade fazer uma pequena compra, mas não creio que pudesse comprar qualquer livro, o que é uma pena...


- Está bem, garota. Mas será que você poderia me dar um copo d'água?
- Oh, sim, claro que posso. Temos água bem fresquinha, mas o senhor não prefere um copo de leite frio?
- E como prefiro, filha. Não terei tempo de fazer qualquer refeição antes da primeira aula, que terá início daqui a uma hora. Portanto, se isso não for muito trabalhoso, eu bem que aceito com muito prazer!
- Nenhum trabalho... Minha mãe nos ensinou a tratar bem as pessoas.
Dizendo isto, a mocinha foi à copa buscar o leite que o pobre estudante bebeu avidamente, já pela sede e já pela fome.
Depois desse dia, muitos anos se passaram. A garota cresceu e se tornou uma mulher respeitável, simpática e dedicada.
Num quarto de hospital, entretanto, certo dia a jovem estava em observação e convalescendo de séria enfermidade.
- Amanhã você terá alta - disse-lhe a enfermeira naquela tarde. O médico lhe dará alta nesta noite ou logo de manhãzinha. Terá de continuar com o repouso e usando os medicamentos por mais duas semanas, mas é possível fazer tudo isso em sua própria casa. Gostou da notícia?
- Gostei muito! Há tantos dias venho esperando por isto, mas estou seriamente preocupada com a conta do hospital. Onde vou conseguir os recursos necessários para pagá-la? Não tenho dúvidas que será alta, e tudo o que temos representa o mínimo...
- Não fique assim tão angustiada. Toda essa tensão lhe fará mal. Vou a tesouraria verificar a conta e volto já com a informação, mas fique calma, por favor.
Dentro de aproximadamente quinze minutos retornou a enfermeira, trazendo a conta numa das mãos.
- Minha vida! - exclamou a moça antes de examinar o papel. O que será de mim para liquidar esse débito?
A essa altura a enfermeira a tranquilizar e, após a verificação da conta, ela aponta uma frase que o médico havia escrito na parte inferior da conta, com a sua própria letra:
"Tudo está pago por um copo de leite que foi oferecido a um pobre estudante, numa tarde quente de verão."