domingo, 23 de setembro de 2012

Melhorar sempre



Há muitos anos, vivia na China um jovem chamado Mogo, que ganhava o seu sustento quebrando pedras. Embora são e forte, o rapaz não estava contente com seu destino, e queixava-se noite e dia. Tanto blasfemou contra Deus, que seu anjo da guarda terminou aparecendo.
- você tem saúde, e uma vida pela frente – disse o anjo. – Todos os jovens começam fazendo algo como você. Por vive reclamando?
- Deus foi injusto comigo, e não me deu oportunidade de crescer – respondeu Mogo.
Preocupado, o anjo foi à presença do Senhor, pedindo ajuda para que seu protegido não terminasse perdendo sua alma.

- Seja feita a tua vontade – disse o Senhor. – Tudo que Mogo quiser,lhe será concedido.
No dia seguinte, Mogo quebrava pedras quando viu passar uma carruagem levando um nobre, coberto de jóias. Passando as mãos pelo rosto suarento e sujo, Mogo disse com amargura:
- Por que não posso eu ser nobre também? Este é o meu destino!
- Sê-lo-ás! - murmurou seu anjo, com imensa alegria.
E Mogo transformou-se no dono de um palácio suntuoso, muitas terras, cercado de servidores e cavalos. Costumava sair todos os dias com seu impressionante cortejo, e gostava de ver seus antigos companheiros alinhados à beira da rua, olhando-o com respeito.
Numa destas tardes, o calor estava insuportável; mesmo debaixo de seu guarda-sol dourado, Mogo transpirava como no tempo em que lascava pedras. Deu-se então conta de que não era tão importante assim: acima dele havia príncipes, imperadores, e ainda mais alto que estes estava o sol, que não obedecia a ninguém – pois era o verdadeiro rei.
- Ah, anjo meu! Por que não posso ser o sol? Este deve ser meu destino! - lamentou-se Mogo.
- Pois sê-lo-ás! - exclamou o anjo, escondendo sua tristeza diante de tanta ambição.
E Mogo foi sol, como era seu desejo.
Enquanto brilhava no céu, admirado com seu gigantesco poder de amadurecer as colheitas, ou queimá-las a seu bel-prazer, um ponto negro começou a avançar ao seu encontro. A mancha escura foi crescendo – e Mogo reparou que era uma nuvem, estendendo-se a sua volta, e fazendo com que não mais pudesse ver a Terra.
- Anjo! - gritou Mogo - A nuvem é mais forte do que o sol! Meu destino é ser nuvem!
- Sê-lo-ás! - respondeu o anjo.
Mogo foi transformado em nuvem, e achou que havia realizado o seu sonho.
- Sou poderoso! - gritava, escurecendo o sol.
- Sou invencível! - trovejava, perseguindo as ondas.
Mas, na costa deserta do oceano erguia-se uma imensa rocha de granito, tão velha como o mundo. Mogo achou que a rocha o desafiava, e desencadeou uma tempestade que o mundo nunca antes vira. As ondas, enormes e furiosas, golpeavam a rocha, tentando arrancá-la do solo e atirá-la no fundo do mar.
Mas, firme e impassível, a rocha continuava no seu lugar.
- Anjo! - soluçava Mogo - a rocha é mais forte que a nuvem! Meu destino é ser uma rocha!
E Mogo transformou-se na rocha.
- Quem poderá vencer-me agora? - perguntava a si mesmo. – Sou o mais poderoso do mundo!
E assim se passaram vários anos, até que, certa manhã, Mogo sentiu uma lancetada aguda em suas entranhas de pedra, seguida de uma dor profunda, como se uma parte de seu corpo de granito estivesse sendo dilacerada. Logo ouviu golpes surdos, insistentes, e novamente a dor gigantesca.
Louco de espanto gritou:
- Anjo, alguém está querendo me matar! Ele tem mais poder que eu, eu quero ser como ele!
- E sê-lo-ás! - exclamou o anjo, chorando.
E foi assim que Mogo voltou a lascar pedras.

Quem vive descontente mesmo obtendo muitas vitórias vai sempre encontrar motivos para desanimar. Só ira valorizar o que tinha quando a perder. Seu pensamente é que só será feliz quando alcançar algo. Mas, quando alcança um alvo logo esta em busca de outra coisa. Um dia ira dizer a famosa frase: Eu era feliz e não sabia.