quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Os Evangélicos e a Ética do Voto


Texto antigo da antiga AEVB. Mas, apesar de antigo, muito oportuno e atual.

1. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o Cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município.

2.  O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da Igreja  tente conduzir o voto da comunidade numa outra direção.


3. Os pastores e líderes tem obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, devem evitar transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político partidária.

4. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos.

5. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no  Brasil deve levar os pastores a não tentar conduzir processos político-partitários dentro da igreja, sob pena de que, em assim fazendo, eles dividam a comunidade em diversos partidos.

6. Nenhum cristão deve se sentir  obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidas com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. Um político evangélico tem que ser , sobretudo, um evangélico na política e não apenas um despachante de Igrejas.

7.  Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico votou de determinada maneira, apenas porque obteve a promessa de que, em fazendo assim, ele conseguirá alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades ou outros “trocos” ainda que menores.

8. Os eleitores evangélicos devem votar sobretudo, baseados em programas de governo e não apenas em função de “boatos” do tipo: “O candidato tal é ateu”; ou: “O fulano vai fechar as igrejas”; ou ainda: “O beltrano é bom porque dará muito aos evangélicos”. É válido observar que aqueles   que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos;

9. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: “o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto”, é de bom alvitre  que, ainda assim, se dê um “voto de confiança” a esse irmão na fé , desde que ele tenha as qualificações para o cargo.

10. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ele ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.


Decálogo do Voto  Ético, produzido pela Associação Evangélica Brasileira        ( A.E.V.B.).